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sábado, 9 de outubro de 2010

Um Dia de Sol em Copacabana

Copacabana é uma pacata cidadezinha construída na beira do Lago Titicaca, cujo nome está relacionado a um dos seus principais atrativos turísticos, a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, onde nos sábados ocorre uma cerimônia para abençoar os automóveis comprados pelos moradores. Demos sorte pois ficamos lá justamente no sábado e presenciamos os rituais. É dela que surgiu o nome do famoso bairro do Rio de Janeiro, cuja referência os Bolivianos adoram citar.


Depois de fotografar a cerimônia e a bonita igreja, somente por fora pois dentro é proibido (aliás, o altar é de impressionar, todo revestido em ouro), caminhamos pelas ruas da cidade para conhecê-la e observar o intenso movimento, principalmente de estrangeiros. Então, compramos a passagem para a cidade de Puno, no Peru, que é caminho para Cusco, mas tem coisas bem interessantes para visitar, como as Islas Flotantes e a Isla de Taquile.


Duas horas antes de sairmos, subimos o Cierro Calvário, onde foram construídas as 15 estações da via sacra, para observar a cidade e o lago, do topo da montanha. Chegar lá não é fácil, pois a subida é bastante íngreme e na grande altitude que se encontra cada passo é um verdadeiro martírio. É comum durante a subida ver pessoas passando mal ou paradas descansando. Chegando lá encontramos o amigo holandês Jesse.


Chegando no topo, a visão da bahia de Copacabana, com o grande lago azul a sua frente, compensa cada gota de suor da subida. Rendeu muitas boas fotos. Lá é possível ter uma visão de 360 graus, podendo observar desde as montanhas e ilhas, até a cidade e o lago.


Descer é fácil, então logo estávamos de volta na cidade para tomar o ônibus para Puno. Em aproximadamente 3 horas estávamos chegando na cidade peruana. Copacabana faz divisa com o Peru, assim, é necessário passar caminhando pela divisa e pegar o visto de saída da Bolívia e depois o de entrada no Peru, sem custos adicionais. Ainda no ônibus o pessoal da empresa de transportes nos ofereceu um hostel em Puno, por 25 soles pessoa/dia. Topamos, e eles nos deixaram na porta do excelente hostel América Inn. No próprio hostel fizemos câmbio de moeda e acabamos comprando o pacote para as Islas Flotantes e Taquile, saindo às 7h do outro dia. Nesse momento já deu para perceber como a diferença cambial menor torna as coisas mais caras no Peru, em relação à Bolívia.


Aqui começa uma nova etapa da viagem, cujo próximo desafio é chegar em Machupicchu. Caminhando... ;-)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Trilha que Corta a Isla del Sol

Pensamos em fazer essa trilha (de norte a sul) como um treinamento para encarar o Salkantay, no rumo de Machu Picchu. Após o desayuno (café da manhã) acordamos o Jesse para colocar o pé na trilha. Os argentinos não toparam encarar essa (só o Leo queria) e seguiram para a parte sul de barco.


O começo da trilha é difícil, pois é preciso subir uma montanha de uns 300 metros, em meio a aldeia Yumani, até chegar na trilha. Imagine isso na altitude de 4.000 metros e com um mochilão nas costas! O coração quase salta do peito... ;-) Mas depois de chegar ao topo da montanha tudo fica tranquilo, é necessário apenas manter a passada e aproveitar a companhia do lago Titicaca nos saudando dos dois lados. Cada paisagem de tirar o fôlego e, é claro, muitas fotos. Por falar nisso, o fotômetro já bateu em 1367... ;-)


No meio da trilha cruzamos um casal de nativos cobrando o pedágio de 15 Bs. Ok, eles estão vivendo de turismo também...


Chegamos na aldeia do lado sul às 13h. Encontramos um casal de uruguaios procurando um local para almoçar e decidimos também parar para comer. Logo encontramos um lugarzinho, com uma vista incrível para o Titicaca, e descansamos as mochilas ali. Eu queria comer pasta, pois a trilha tinha nos consumido, e pedi uma pasta com tomate, conforme dizia a carta. Veio um prato de sopa de quinua, um prato de massa e outro com tomates fatiados! Ok, eu estava mesmo com muita fome... :-) A Rafa e o Jesse pediram pizza de tomate, que chegou exatamente como eles imaginavam! ;-)


Depois do almoço descemos a montanha até o pier para pegar o barco de volta a Copacabana. O barco estava lotado! No meio do caminho paramos no Templo del Sol para conhecê-lo e tirar umas fotos. Então seguimos para o continente. Havia uma mistura de gente de toda a parte do mundo no barco, foi engraçado ver todo mundo conversando, um pouco em inglês outro em qualquer outra língua.


A Bolívia é realmente um lugar muito atraente para mochileiros de todo o mundo, por suas belezas naturais, diversidades, cultura e, principalmente, por ser um lugar muito barato. No Hostel Sonia (recomendadíssimo), que ficamos em Copacabana, muito limpo e com banheiro privado, pagamos 25 Bs por pessoa/dia, o que equivale a aproximadamente 7 reais. A noite jantamos em um restaurante bem típico, com ótima comida, a 25 Bs, comida vegetariana é mais barata! ;-) Um taxi em La Paz custa em torno de 10 Bs.


Vale muito a pena passar férias nesse país!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Atravessando o Titicaca até a Isla del Sol

Assim que chegamos em Copacabana, e encontramos um hostel para passarmos a noite, saímos para jantar uma pizza e comprar os tíquetes para a Isla del Sol. Às 8h da manhã seguinte fomos até o pier no lago Titicaca e tomamos um barco para a ilha. Nos impressionamos com a beleza do grande lago azul, o lago navegável mais alto do mundo!


Logo na entrada conhecemos o Jesse Schrama, um holandês gente boa, de 22 anos, que está viajando sozinho e ficará 9 meses perambulando por vários países da América do Sul. O Jesse está aprendendo espanhol, mas prefere conversar em inglês ou dutch, que só a Rafa entende. Ele está sendo uma ótima companhia e estamos desenferrujando o nosso inglês!


Até a ilha eu fui sob o teto do barco para tirar boas fotos, e lá conheci também 4 argentinos gente boa que estavam viajando meio sem rumo como nós, o Elvio Monasterolo, Leandro Terny, Leonardo Pelizari e o Julian Rana. O Elvio (el loco) tinha, há uns 4 dias, acabado de fazer o caminho de Coroico, como nós, porém de bicicleta junto com o Leo. Em uma curva ele freiou e passou reto, caiu uns 60 metros de altura em um precipício que tinha centenas de metros. Sobreviveu porque conseguiu se agarrar em um galho de árvore, mas quebrou várias costelas e se machucou todo. Por isso chamei ele de El Loco!


Desembarcamos na parte norte da ilha. Nosso objetivo era fazer a trilha de aproximadamente 3 horas, que corta a ilha até o sul, e voltar a Copacabana no outro dia. O Jesse também queria fazer essa trilha conosco, mas conversando com nativos decidimos ficar curtindo o lado norte naquele dia, conhecer todos os locais sagrados e caminhar até o sul no outro dia. Acabamos ficando todos (nós, Jesse e os argentinos) no mesmo hostel, do guia Jose.


A tarde o Jose nos levou a todos aos locais sagrados, mais ao norte da ilha, uma boa caminhada. Visitamos o Museo de Oro, passamos pela Pisada del Sol e assistimos ao pôr do sol sobre o templo Chincana, que fica próximo da Roca Sagrada (Wiracocha) e do Titicarca (el puma en la roca). Para fechar o dia o Jose nos serviu uma sopa de Quinua. Nesse momento acabou a luz na ilha e ficamos conversando à luz de lanternas. Acabamos indo dormir cedo, sem banho, pois logo acabou também a água...


A ilha é um lugar especial. Você convive com os nativos Yumani, que continuam vivendo da agricultura e pesca, como seus antepassados, cultivando suas tradições e costumes. Vida simples, sem muitos confortos, em meio à natureza um pouco hostil dos 4.000 metros de altitude, mas cercados pelo Titicaca e muitas belezas. A diferença é que agora eles sobrevivem também de turismo. É muito bom passar um tempo lá para perceber que precisamos de muito pouco para viver, com felicidade e saúde! Totalmente desaconselhável para pessoas chatas e/ou exigentes! ;-)